22/12/2025
Chegou o mês das retrospectivas, dos agradecimentos, de olhar para o ano que passou e pensar no que posso agradecer, no que quero levar para o novo ano e no que quero deixar. Agradecer as aprendizagens, as descobertas e, acima de tudo, toda a minha evolução e resiliência.
Este meu ano de 2025 teve muitas semelhanças com o antecessor, não pelos momentos menos bons, mas pela minha saúde. Não se sai de uma adição ao cortisol — semelhante ao Burnout — num piscar de olhos, nem eu esperava que tal acontecesse, mas, na verdade, não esperava continuar tão em baixo e a sentir-me tão «pesada» quanto senti. Este ano pareceu o trânsito na A5 (Lisboa–Cascais), um para-arranca pior do que na ponte 25 de Abril. Quando podia ter sido uma simpática velocidade de cruzeiro na ponte Vasco da Gama.
Tive perdas. A Diva e a Mimi foram para o céu dos gatinhos e deixaram a minha cama mais fria. E sofri muito. De alguma maneira, ainda me sinto enlutada pela perda das minhas gatinhas, sobretudo da Mimi, que era a minha sombra. Mas o Universo acaba sempre por conspirar a nosso favor e, em setembro, adotei a P**a e a Tita, que são muito parecidas com as minhas velhotas. Resta saber se também terão feitios semelhantes e se aquecerão a minha cama.
O meu aniversário foi super estranho — para não dizer pior. Houve uma tempestade horrível — a tempestade Martinho, lembram-se? E cancelei tudo. Acabei por almoçar com a minha mãe, o meu irmão e os nossos avós. E, no dia seguinte, tive a minha festa com o ComSonante, o coro de toda a minha vida. A tempestade passou e consegui remarcar todos os jantares de aniversário que tinha planeado.
A Primavera foi bonita, muito bonita. Realizei mais um sonho musical e senti o coração cheio de gratidão por aprender, ao longo dos anos, a cantar cada vez melhor e a ter estes momentos felizes! Encher com a minha voz todos os corações que me ouvem e, também, a minha igreja preferida. Não sendo eu católica, não consegui evitar deixar rolar uma ou outra lágrima ao sentir-me tão bem naquele momento. Depois, voltei a dedicar-me às cantorias corais e a deixar de parte os projetos a solo, algo que também acaba por me fazer bem — ganho outras aprendizagens, mais prática de produção e atenção aos bastidores.
Por sua vez, o Verão foi difícil… ou melhor, começou difícil e não ganhámos para o susto. O que fez com que eu também me sinta cada vez mais grata por estar viva, pela vida que tenho e que me têm proporcionado tanto eu mesma como a minha família. Passei o Verão a chorar, chorei muito. Por mim e pelos que me são próximos. Lavei a alma, aliviei pesos, passei dias sozinha, fui conhecer as geladarias da minha rua, os jardins que há pelos caminhos que circundam a minha casa e o prazer de ler debaixo de uma árvore, no meio do caos citadino. Dei conta de que foi o ano em que mais li dos últimos cinco — mais coisa, menos coisa. Tanto no Kobo como em formato físico. Foi, também, o ano em que comprei mais livros, aumentando a minha biblioteca, e passei muitas ressacas literárias. Quanto à escrita, este ano é capaz de estar empatado com 2020. Entre crónicas, diários e outros textos, mesmo com pausas, tenho escrito imenso.
Houve várias mudanças laborais e acabo o ano a agradecer por todos os tropeços e todas as coisas boas que a mim chegaram. Cresci sempre, mudei a minha postura, sinto que evoluí e que melhorei para mim mesma e para a minha carreira profissional.
Sei que ainda há um longo percurso a percorrer, até porque «ser melhor Ser Humano» é um caminho de vida, não é num dia, numa semana ou num par de anos. O que mais sinto é que me tornei mais leve para comigo mesma, estabeleci metas mais leves, tentei ser menos rígida e exigir menos de mim, sentir mais as minhas vontades e segui-las, fazer mais por mim e menos pelos outros. Comecei a olhar-me ao espelho e a reconhecer que são mais os dias em que gosto do que vejo do que aqueles em que fujo ao mais pequeno vislumbre. E, que me lembre, ainda não tive uma única amigdalite! — Esta parte não é para manifestar ao Universo! Estou bem assim, obrigada!
Já até tenho eventos planeados para ir na minha própria companhia! Coisa que mal pensava há um ano! Aliás, há um ano estava em Roma, precisamente a agradecer por mais um ano e mais momentos evolutivos, por ser cada vez mais mulher, sem perder a menina que sou.
E, nisto, os Astros tiveram o seu peso relevante — como, aliás, têm sempre desde que me envolvi nestes conhecimentos — comecei a conhecer mais de mim, a revisitar memórias, a pensar que peso têm na minha vida e na construção da mulher que sou e quero ser. No que é importante ter sempre presente e no que é para limpar, aprender e arrumar, para não me limitar.
Chorei amores. Afinal, sou de apegos fáceis e desapegos dolorosos, sobretudo no que toca a grandes amores que ficam para toda a vida. E não seria eu se não tivesse tido mais um ano de amores e desamores. Deixo para trás um grande amor para levar um grande amigo para o novo ano. Percebi quais são as minhas prioridades e o que quero para mim, para a minha vida, o que combina com esta fase de vida e maturidade e aquilo que não quero e não procuro.
Em 2026 completarei 37 Primaveras. Não é que sinta o peso da idade, mas sei que já não sou uma miúda. Por mais que conserve o espírito jovem e a genética me ajude a manter-me fresca, a mente vai estar sempre mais para a frente. Sobretudo quando toca a pensar no que quero realmente para mim, o que quero fazer da minha vida e que já está mais do que na altura de ir lutando por isso, de não parar, de dizer «não», de estabelecer limites, de querer mais e melhor, de meter os pés à parede e não aceitar tudo o que vier ou, como costumo pensar, «não há pão para malucos!».
O que mais posso agradecer, em mais um ano de vida, é, de facto, todo o conhecimento que ganhei sobre mim, todas as vezes que me senti prioridade da minha vida e assumi francamente essa prioridade, tornando-a cada vez mais regular.
Espero que 2026 seja mais tranquilo, os meus 37 muito mais doces e sem tropeços. Continuarei a amar o Amor, abraços, sorrisos, cantar, escrever e viver! Continuarei a amar família e amigos. Continuarei aqui — na emootiva — onde, mais do que amigas, encontrei irmãs de escrita e emoções. Tenho-as como amigas para sempre, mulheres incríveis com vidas todas diferentes, o coração do lado certo e muita compreensão e abraços para darem em forma de mensagens e crónicas.
Estamos quase a acabar o ano, a largar a mochila e a pegar numa vazia para encher com tudo o que quisermos do novo ano. O que tiver de seguir, na nova mochila, seguirá. O que não seguir, que seja para nos tirar pesos de cima.
Os anos não são nunca tudo em baixo ou tudo em cima. São uma montanha-russa mais ou menos agitada. E o que sei é que, em 2025, aprendi e cresci imenso, tornei-me mais forte, apaixonei-me ainda mais por mim e tenho descoberto a maravilha que é Ser Inês.
— Inês Biu Faro
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