Rádio Nova Cruzeiro
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Rádio Nova Cruzeiro de Em 2012, voltámos, agora on-line. Obrigado pela preferência
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Odivelas
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Categoria
História
A RÁDIO CRUZEIRO surge em pleno período expansionista das emissoras não oficiais. Transmitia para toda a Grande Lisboa, em Frequência Modulada (FM) na posição 105,7 Mhz e a partir dos estúdios localizados no Sítio da Várzea, em bom rigor, no primeiro andar do lado esquerdo do Lote 12 da atual Rua Soeiro Pereira Gomes. Tudo começou com alguns realizadores da Rádio Nova Antena e da Rádio Saturno que queriam expandir as suas capacidades artísticas, tendo então começado a reunir no Café Memória, em Odivelas, à época um dos mais emblemáticos pontos de tertúlia, tendo como objetivo a criação de uma rádio, feita por gente que a sentisse, e a valorizasse como meio de comunicação local, saído do “registo dos discos pedidos”, como opção única era a regra nas então rádios locais. Fazer do microfone local uma arma de desenvolvimento do pensamento, era então, o mote. Escolheu-se o nome de RÁDIO CRUZEIRO (a alternativa era Rádio Memória) por, já na altura, se considerar que o Cruzeiro da Memória era o ex-libris da então vila de Odivelas. Tanto o Cruzeiro, como a Quinta da Memória, só muitos anos depois passaram a ser reconhecidos como reais símbolos da cidade e felizmente, nos dias de hoje é na Quinta da Memória que está instalada a sede do Município. A RÁDIO CRUZEIRO emite pela primeira vez em 27 de Outubro de 1986, um sábado e é constituída como cooperativa, dela fazendo parte, como fundadores onze elementos, na sua maioria radialistas vindos das duas rádios então mencionadas, a que se juntaram novos companheiros de arte, até aqui sem experiência noutras estações, mas a quem não faltava a vontade de fazer a coisa à séria: António José Portela (vindo da R.N.A.), Henrique Martins, Humberto Fraga e Armando Gouveia (com origens na Rádio Saturno), Luís Filipe Silva, Fátima Rodrigues e Carlos Jorge (também vindos da Rádio Saturno, mas sem pertencerem aos quadros da estação, antes ligados à primeira produção independente das rádios locais, “O Ciclo da Noite”), a que se juntaram a Paula Morais, Fernando Silva, Luís Fraga e Fernando Rodrigues (técnico, também vindo da Saturno). Em simultâneo foram contatados outros colegas que inicialmente entraram como colaboradores, passando muitos deles posteriormente à condição de cooperantes. Desde a primeira hora, também fizeram parte da RÁDIO CRUZEIRO, Carlos Oliveira e Paulo Costa (recrutados à Rádio Nova Antena), Luís Filipe Costa, Jorge Gaspar, Marco António Oliveira, António Rodrigues, Nelson Agostinho, José Henriques, Manuel Varela, Isabel Fernandes, Elsa Candeias, Ana Paula Silva, Carlos Marques, Ricardo Portela (na altura, o locutor mais jovem do País), Pedro Cardoso, Mário Santinho, Helena Lourenço, João Farinha, Carlos Batista, Mário Lelo e Vítor Batista (os dois últimos, infelizmente já falecidos). Para a área comercial foi contratado o Oliveira, também já falecido, que contava com o apoio do Carlos Batista para o serviço de angariação e cobrança de publicidade. Posteriormente foi aparecendo mais gente com muita arte à flor da pele como Paulo Jordão, Rui Jorge Valente, Paulo Fail, Eduardo Passos, Sandra Gabriel, Américo Paulo, Dina Salgueiro, Paulo Jorge, e tantos outros, que contribuíram decisivamente para colocar a RÁDIO CRUZEIRO no topo das mais ouvidas no concelho de Odivelas. De um desafio, então lançado, ao professor de História, Renato Monteiro, que na altura lecionava aquela disciplina na Escola Secundária da Ramada e também estivera envolvido no “Ciclo da Noite”, a tal primeira produção independente das rádios locais, e que consistia na abertura da rádio à escola, surgiu uma nova leva de notáveis valores para a rádio, como a Isabel Aleixo, Paula Madeira, Elsa Santos, Rita Oliveira, Sérgio Barran, Pedro Castelo Branco, Fernando Paulo, e Pedro Parente, que entre outros vieram dar consistência à área da Informação, que passou a ter noticiários curtos de hora a hora numa emissão que se transmitia entre as 7 e as 2 horas de segunda a sexta feira e ininterruptamente ao fim de semana. Todos, têm o seu nome umbilicalmente ligado ao sucesso que foi a RÁDIO CRUZEIRO, tal como, a que foi a estação de todos os odivelenses, tem o seu nome ligado à elevação de Odivelas à categoria de cidade, pelo que se empenhou nessa promoção administrativa da então vila e que abriu as portas e as aspirações a um dia poder vir a ser, sede de concelho. A RÁDIO CRUZEIRO viu o seu emissor ser confiscado por duas vezes, pelos Serviços Radioelétricos, o que aconteceu também a outras estações locais, com a acusação de que a emissão estaria a interferir com as comunicações do Aeroporto de Lisboa. Nunca, alguma vez, com a RÁDIO CRUZEIRO, ou outra qualquer, se provou que isso tenha acontecido, muito menos que a ter acontecido, tenha sido deliberado e paira no ar uma acusação proferida por Mónica Ferreira, da Rádio Horizonte Tejo, também várias vezes vítima desta situação, corroborada à “boca fechada” por muitos mais, de que haveria gente, em pelo menos uma rádio do então concelho de Loures, (chegaram a transmitir 8 em simultâneo) que de quando em vez, se dedicaria a retransmitir a emissão de outras para frequências proibidas, com o intuito de eliminar a concorrência. A acusação, que já naquela altura era difícil de provar, a confirmar-se é ao fim destes anos todos, um crime prescrito. O segundo confisco aconteceu, talvez sem acaso, meses antes do concurso de atribuição de frequências, numa altura em que a RÁDIO CRUZEIRO era justamente a mais ouvida em Loures pelas gentes do concelho de Loures, o que inviabilizou a candidatura da RÁDIO CRUZEIRO, face ao elevado e incerto investimento a fazer para anular o confisco. Nesse concurso, ainda hoje cheio de reparos, no que diz respeito aos resultados encontrados e para os quais, há quem acuse terem as questões políticas tido demasiado peso, a Rádio Nova Antena venceu, seguida da Estação Orbital (ex-Rádio Clube de Sacavém) e da Rádio Horizonte Tejo, todas com frequências atribuídas e ficaram de fora a Rádio Imprevisto, a Rádio Saturno, a RÁDIO CRUZEIRO (que acabou por não apresentar candidatura) e o Emissor Local de Odivelas (na altura já extinto e que também não apresentou a sua candidatura). A RÁDIO CRUZEIRO participou em 1987 no 1º Concurso de Rádios Locais, promovido pela Rádio Marginal (Oeiras), onde representou, na altura, o concelho de Loures, tendo obtido um 3º e um 4º lugar entre 80 participantes de rádios de Lisboa e concelhos à volta. Neste evento, a RÁDIO CRUZEIRO foi representada por Luís Filipe Silva (3º) e Fátima Rodrigues (4º), tendo os dois primeiros lugares sido ocupados por dois locutores da rádio organizadora do concurso, sem que por isso, haja qualquer razão para questionar o critério da apreciação dos jurados. Foi um concurso com decisão justa, durante o qual a RÁDIO CRUZEIRO mostrou que em Loures também se fazia boa rádio. Será sempre injusto falar da RÀDIO CRUZEIRO sem referir os Móveis Monte Rosa, empresa sediada no Lumiar, num prédio já demolido, onde hoje se encontra uma das colunas que suporta o viaduto do Eixo Norte-Sul e com armazém no rés-do-chão do prédio ao lado dos estúdios. Num contrato absolutamente fundamental, que por si só pagava o aluguer das instalações e os ordenados dos colaboradores, os Móveis Monte Rosa tinham “spot” em todos os blocos publicitários e patrocinavam ainda alguns programas, ao ponto de, quem não estivesse por dentro do assunto, chegar a pensar que a RÁDIO CRUZEIRO era propriedade dos Móveis Monte Rosa. Não era, nunca foi, mas a aposta dos irmãos Karmali, foi arrojada para a altura e determinante para o sucesso e solidificação da RÁDIO CRUZEIRO, sem ao contrário do que se exige agora, nos imporem qualquer condicionalismo. Aos amigos Karmali, o nosso reconhecido obrigado por terem querido fazer parte da História de uma grande rádio.
Vinte e seis anos depois e porque é preciso intervir no concelho de Odivelas, voltámos a juntar-nos para desenvolver um projeto , agora apenas on-line, recuperando gente que sempre foi capaz de marcar a diferença pela positiva, aos quais se juntaram outros companheiros de arte e até alguns que vão viver aqui a sua primeira experiência de comunicação, recuperando designações próprias das quais nos orgulhamos e criando outras novas, em que apostamos. Voltamos porque queremos, porque achamos que é preciso e contamos com a nossa capacidade de comunicação e com o empenho do nosso Departamento Comercial, para a sustentabilidade de um projeto, que embora sem fins lucrativos, terá de ser auto sustentado. Podem contar todos nós para esta nossa segunda vida. Estaremos sempre por aqui, sem dramas, sem stress, por Odivelas, com Odivelas e para Odivelas. Tal como há 27 anos.