15/01/2026
𝗠𝗢𝗡𝗧𝗔𝗟𝗘𝗚𝗥𝗘: 𝗔𝗣𝗔 𝗱𝗮́ 𝗽𝗮𝗿𝗲𝗰𝗲𝗿 𝗳𝗮𝘃𝗼𝗿𝗮́𝘃𝗲𝗹 𝗰𝗼𝗺 𝗰𝗼𝗻𝗱𝗶𝗰̧𝗼̃𝗲𝘀 𝗮̀ 𝗿𝗲𝗮𝗯𝗲𝗿𝘁𝘂𝗿𝗮 𝗱𝗮 𝗺𝗶𝗻𝗮 𝗱𝗮 𝗕𝗼𝗿𝗿𝗮𝗹𝗵𝗮
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) deu parecer favorável, mas com condições, ao projeto de reabertura da mina da Borralha.
Quer isto dizer, que o projeto pode avançar, mas só depois de a empresa apresentar estudos adicionais e cumprir medidas de proteção ambiental e de acompanhamento no terreno.
No documento, a APA considera que a reabertura pode ser uma oportunidade, sobretudo por permitir tratar problemas antigos deixados pela antiga atividade mineira. Entre as intervenções previstas está a eliminação de uma escombreira associada a águas ácidas e a recuperação da Ribeira de Amiar.
O estudo esteve em consulta pública durante 41 dias, entre 7 de outubro e 17 de novembro, e recebeu 653 participações. Uma das maiores preocupações apontadas foi a questão da água, nomeadamente a captação a partir da barragem da Venda Nova, a jusante da mina.
A APA destaca que a exploração prevista é subterrânea, o que tende a reduzir poeiras e ruído, e que o sistema de água em circuito fechado diminui o risco de contaminação. O parecer aponta ainda possíveis benefícios para a economia local, como emprego e mais atividade na região.
Em declarações à margem da apresentação da 35.ª Edição da Feira do Fumeiro, que ontem aconteceu no SIPAM do Barroso, Fátima Fernandes, Presidente da Câmara Municipal de Montalegre, afirmou que a empresa vai ter que tomar as diligências necessárias para corrigir as situações que foram identificadas e que foram aportadas por tantas e tantas comunicações que receberam”.
Para Fátima Fernandes, as preocupações evidenciadas dizem respeito à utilização de reagentes perigosos que podem pôr em causa a saúde pública, bem como com a utilização da água.
Foi ainda deixada a preocupação de Fátima Fernandes relativamente ao recurso a explosivos na exploração mineira, o que pode provocar algum aluimento e portanto os técnicos vão ter que ter isso em consideração e dar uma resposta.
Fátima Fernandes não duvida da importância deste projeto para o país, mas à revelia das pessoas que habitam esse mesmo território, tal não pode acontecer, defendendo que não se pode “impor fazendo de conta que não existe gente, que viveu ali toda a sua vida”.
Embora a autarca considere que o projeto não põe em causa o selo de Património Agrícola Mundial, Fátima Fernandes destacou que se trata de uma zona objetivamente mais mineira do que ligada à agricultura, pese embora o facto de existir uma produção muito significativa do gado barrosão, na freguesia de Salto.
A empresa Minerália assinou em outubro de 2021 um contrato de concessão com o Estado para a exploração mineira subterrânea em Borralha. As minas da Borralha abriram em 1903 e chegaram a ser um dos principais centros mineiros de exploração de volfrâmio em Portugal, tendo terminado atividade em 1986. A empresa, com sede em Braga, quer explorar tungsténio e, adicionalmente, produzir concentrados de cobre e de estanho numa área que tem como aldeias mais próximas a Borralha, Caniçó e Paredes de Salto.