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19/12/2024

Confira a coluna do economista Armando Avena

ISABELLA, MINHA PRIMA ATRIZ – ARMANDO AVENAQuando eu era criança, fiquei fascinado ao saber que tinha uma prima atriz. E...
20/09/2024

ISABELLA, MINHA PRIMA ATRIZ – ARMANDO AVENA

Quando eu era criança, fiquei fascinado ao saber que tinha uma prima atriz. E minha mãe aumentou o fascínio ao dizer que ela era linda, tinha olhos de pantera e se parecia com ela.

Chamava-se Isabella e havia deixado a pequena cidade de Mundo Novo, na borda da Chapada Diamantina, aos 15 anos, para aventurar-se no Rio de Janeiro e daí ganhar o mundo. Havia sido aeromoça da Pan Air e manequim na Maison Dior, em Paris, e um dia voltou ao Brasil para tornar-se atriz. Até aí, Isabella era, para mim, apenas uma história que minha mãe contava.

Muitos anos depois, arrebatado com o livro Dom Casmurro de Machado de Assis, fui em busca dele nas telas e encontrei-me novamente com minha prima atriz, ao descobrir que ela havia sido a primeira Capitu do cinema. E o encanto voltou. Isabella, que se tornou atriz no Teatro O Tablado, fundado por Maria Clara Machado, já era então uma musa do Cinema Novo.

Havia estreado fazendo um episódio do filme Cinco Vezes Favela, de Marcus Farias, talvez o primeiro filme do Cinema Novo, e fizera outros até tornar-se Capitu no filme do cineasta Paulo César Saraceni com quem havia se casado.

Um dia, assisti o filme de Saraceni no Canal Brasil e, finalmente, encontrei-me com Isa. Ela estava no auge dos trinta anos e era tão linda quanto dizia minha mãe. E se parecia com ela, ou pelo menos eu achei assim, da mesma maneira, talvez, como Bentinho, que achava seu filho com Capitu parecido com o amigo Escobar. Isabella tinha uma beleza calma, quase fria, mas seu olhar era intenso e profundo, e olhava como se quisesse entrar na alma de quem a via.

Nenhum cineasta conseguiu adaptar para o cinema, com rigor, beleza e força, a literatura de Machado de Assis, e com Paulo César Saraceni não foi diferente. Mesmo tendo o roteiro escrito por Paulo Emílio Salles Gomes e Lygia Fagundes Telles, e Bentinho e Escobar interpretados por ninguém menos do que Othon Bastos e Raul Cortez, o filme estava longe de traduzir a genialidade da obra-prima do bruxo do Cosme Velho. Mas a Capitu de Isa tinha maravilhosos olhos de cigana “oblíqua e dissimulada”, olhos de ressaca que traziam à minha memória “os mares e as águas, a tempestade e os náufragos”. E, ao vê-la, a vontade de conhecer minha prima atriz, musa do Cinema Novo, foi tão grande quanto os ciúmes de Bentinho.

Em 2008, publiquei meu livro Recôncavo e fiz seu lançamento na Livraria Argumento, no Leblon, no Rio de Janeiro. Foi quando, em meio a dedicatórias e autógrafos, minha atenção foi capturada por um par de olhos grandes que pediam licença para ver minha alma. Era Isabella, que, de braço dado com o amigo e primo Gilberto Lopes, olhava para mim à espera de um autógrafo. Logo depois, saindo da livraria, encontrei Isa sentada no meio fio e aí ficamos a conversar. Haviam se passado 40 anos desde que fizera Capitu, mas estava linda e se parecia com minha mãe.

Publicado no jornal A Tarde em 20/09/2024

EXCLUSIVO: PETROBRAS NÃO QUER RECOMPRAR REFINARIA DE MATARIPE. “AVALIAMOS DOAÇÕES”, IRONIZA PRESIDENTE DA ESTATAL. VEJA ...
30/08/2024

EXCLUSIVO: PETROBRAS NÃO QUER RECOMPRAR REFINARIA DE MATARIPE. “AVALIAMOS DOAÇÕES”, IRONIZA PRESIDENTE DA ESTATAL. VEJA AÚDIO.

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24/08/2024

A MÁQUINA DE MATAR O SILÊNCIO – ARMANDO AVENA

Entre as mudanças que introduziu no mundo, a modernidade empenhou-se em disseminar duas delas: o amor à velocidade e o horror ao silêncio. A primeira tornou-se uma característica do mundo moderno e fez do homem um ser que está sempre em movimento, sempre precisando fazer alguma coisa o mais rápido possível. O efeito colateral do amor à velocidade é um sentimento de que o tempo está passando muito rápido, ainda que essa rapidez seja decorrente do fato de que estarmos fazendo mais coisas no pouco tempo que dispomos, e uma sensação de que a vida está se esvaindo velozmente.

Além disso, o amor à velocidade compromete a contemplação e a possibilidade de realizar o que se deseja serenamente, singrando lentamente as águas do tempo. A arte e a filosofia são em essência inimigas da velocidade e, talvez por isso, ultimamente a modernidade esteja tão avessa aos grandes filósofos e à grande arte. Dá vontade de lembrar a história de Chuang-Tsê, exímio pintor, a quem o rei pediu que desenhasse o mais belo de todos os caranguejos. Para fazê-lo, disse ele, preciso de cinco anos. Passados cinco anos, nem um traço havia no papel e ele pediu mais cinco anos. Ao completar-se o décimo ano, Chuang-Tsê pegou o pincel e num instante, com um único gesto, pintou o mais perfeito caranguejo que jamais se viu. A história foi lembrada por Italo Calvino em uma das suas célebres conferências na Universidade de Harvard nos anos 80.

Mas o meu tema não é o amor à velocidade e sim o horror ao silêncio que está prestes a se transformar no maior suplício da humanidade. A modernidade aliou-se ao barulho e de tal maneira que se tornou impossível viver em silêncio. Em toda a parte, há um carro buzinando, uma televisão estrídula, um som nas alturas, uma máquina estrepitando em nossos ouvidos, um grupo de pessoas gritando e por aí vai. E, como se não bastasse, os humanos criaram o celular, a máquina de matar o silêncio, como aquelas que exasperavam Calvino mesmo antes da era dos telefones móveis.

E assim, quase sempre à revelia dos humanos, essa máquina infernal está a exibir vídeos barulhentos, discursos idiotas ou narcisistas, áudios reacionários ou religiosos, e notificações, apitos, alarmes, toques e tudo aquilo que consiga chamar a atenção. No mundo moderno, já não se pode viver sem essas máquinas que assassinam o silêncio e são arautos de uma sociedade que acredita no barulho e no grito como forma de persuasão.

Meus Deus! Será que os demônios do século XXI, abrigados nas cavernas do Vale do Silício, não perceberam, como Nietzsche, que o ruído mata o pensamento, ou, como Emerson, que precisamos ser silenciosos para ouvir o sussurro dos deuses? Infelizmente, a máquina de matar o silêncio segue disparando sons cada vez mais altos e, num sinal de que a tragédia está próxima do fim, Hamlet faz uma paródia de sua própria fala: “Só nos resta o barulho”.

Publicado no jornal A Tarde em 23/08/2024

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“ NO BRASIL AS PESSOAS PENSAM QUE O MERCADO É DEUS”
06/08/2024

“ NO BRASIL AS PESSOAS PENSAM QUE O MERCADO É DEUS”

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26/07/2024

Amo ser escritor, mas tenho paixão pelo jornalismo. Sempre busquei fazer essa distinção no intuito de sublinhar que ser escritor é um desiderato, algo que está arraigado na alma e, como o amor, pode ser lapidado ao longo do tempo tal qual um diamante. Ser jornalista é destino, quase predestinação, assenhora-se completamente da sua vida e, assim como a paixão, resulta no desejo ilimitado de se jogar por inteiro em algo que, por sua própria essência, é breve, rápido, momentâneo.
Talvez não seja assim e eu esteja apenas romanceando o maravilhoso ofício de moldar a palavra de maneira diversa e com objetivos diferentes. Alguém pode ver nessas metáforas uma espécie de preconceito, cujo objetivo seria elevar o ofício do escritor em detrimento do ofício do jornalista, mas não creia nisso, leitor, o amor e a paixão são igualmente essenciais na vida das pessoas. Reconheço, contudo, que durante muito tempo quis hierarquizar os meus ofícios no sentido de colocar o escritor acima do jornalista. Quem fez-me ver o quanto era descabida essa ideia foi Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel de Literatura, que durante toda sua vida foi escritor e jornalista, equilibrando-se no tênue fio que separa o romance e o conto da reportagem jornalística e da crônica.
“Toda la vida he sido un periodista” (...) “a ficção ajudou meu jornalismo, porque deu a ele valor literário. O jornalismo ajudou minha ficção, porque me manteve em relação íntima com a realidade”, dizia ele.
Mas Gabo fazia questão de ressaltar uma diferença básica entre os dois ofícios, pois no jornalismo um único fato falso destrói todo o trabalho, enquanto na literatura o escritor é Deus, pode fazer o quiser, desde que seu leitor acolha a sua história. O escritor pode partir de um único fato verdadeiro e daí construir a história do que poderia ter sido, pois seu compromisso é com a arte e com o leitor. Assim fez Mario Vargas Llosa, quando escreveu “A Guerra do Fim do Mundo”; assim fez este escritor quando escreveu “Luiza Mahin” e contou como poderia ter sido a Revolta dos Malês. Já o jornalista tem a obrigação de apurar os fatos, não tem o direito de omitir sequer um deles ou de falsear e enviesar a história. Não pode abstrair-se do que realmente aconteceu, pois seu compromisso é com a verdade.

Publicado no jornal A Tarde em 26/07/2024

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14/07/2024

PESSOA E OS ESTUDANTES DE LISBOA – POR ARMANDO AVENA

O café A Brasileira no Chiado, perto do Bairro Alto, mais precisamente na Rua Almeida Garret, é um lugar que os brasileiros adoram em Lisboa. É um café literário que faz parte da história da cidade. Como se não bastasse, Fernando Pessoa era frequentador assíduo do local e, em frente ao café, está a estátua do poeta, sentado com uma cadeira vazia ao lado, e é inevitável, ao passar por ali, sentar-se para tirar um selfie com, talvez, o maior poeta da língua portuguesa, ainda que seja imprescindível lembrar que logo ali embaixo está a Praça Luís de Camões.

Mas no Chiado é o modernismo que impera e ali abraça-se Fernando Pessoa, conversa-se com Vicente Guedes, desassossega-se com Bernardo Soares, lê-se “O Guardador de Rebanhos” com Alberto Caeiro, ouve-se uma ode de Ricardo Reis ou declama-se um soneto de Álvaro de Campos: “Meu coração é um almirante louco/que abandonou a profissão do mar”.

Os heterônimos estão todos ali, abrigados no olhar distante do poeta que parece estar mirando o mar de Portugal. Sempre que vou a Lisboa, passo no café para cumprimentar Pessoa e, meio aborrecido por estar preso ao bronze, ele também me cumprimenta. No largo do Chiado, muitas vezes aglomeram-se os estudantes lisboetas e certa vez os encontrei irascíveis, a gritar imprecações contra o meu amado vate.

Crendo que decibéis nas alturas pode dar ênfase às palavras, eles gritavam afirmando que Pessoa era um mau poeta e pouco afeito à gramática: “O poeta diz: Portugal são! Pobre poeta, é uma besta, não sabe sequer conjugar a última flor do Lácio”, dizia o mais afoito deles. Eram, ao que parece, universitários e não sei se criticavam Pessoa apenas para aborrecer os turistas brasileiros que se amontoavam junto à estátua ou se acreditavam mesmo nas bobagens que diziam. O mais provável, porém, é que, mesmo lendo, não soubessem ler ou, talvez, não soubessem que poetas podem fazer com a língua o que bem entendem.

Fernando Pessoa jamais disse explicitamente “Portugal são”, mas era assim que pensava, pois para ele Portugal era muitas coisas: era a história de um povo, era o próprio povo, era a língua portuguesa, era o mar. Fernando Pessoa jamais disse explicitamente “Portugal são”, mas poderia dizê-lo porque a poesia é maior do que a concordância. O poeta tudo pode, até humanizar Portugal e colocar lágrimas em seus olhos: “Ó mar salgado, quanto do teu sal / São lágrimas de Portugal! ”. Pode transformá-lo em alguém em busca de sua utopia e orar ao Senhor por ele: “Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. /Senhor, falta cumprir-se Portugal!”.

Os jovens que questionavam Pessoa tinham a alma pequena, nada sabiam do poeta, não sabiam nada de Portugal. Não serão capazes de cruzar o Bojador. “Quem quer passar além do Bojador/Tem de passar além da dor”.



Publicado no jornal A Tarde em 12/07/2024

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10/07/2024

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ECONOMISTA DIZ QUE SEM OS LEILÕES PARA VENDA DE DÓLAR, AUTORIDADE MONETÁRIA SANCIONA ATAQUE ESPECULATIVO AO REALO econom...
29/06/2024

ECONOMISTA DIZ QUE SEM OS LEILÕES PARA VENDA DE DÓLAR, AUTORIDADE MONETÁRIA SANCIONA ATAQUE ESPECULATIVO AO REAL

O economista Armando Avena, ex-presidente e fundador do Conselho Nacional de Secretários de Planejamento, disse, em artigo publicado no jornal A Tarde, que o Banco Central precisa explicar porque não está fazendo leilões de swap cambial, ou seja, venda de dólar no mercado futuro, para assim estabilizar o câmbio no Brasil.

Avena lembra que, tradicionalmente, o Banco Central intervém na cotação vendido dólar no mercado futuro. Ele deu o exemplo do último dia 2 de abril, quando o dólar ultrapassou a barreira dos R$ 5,06 e o Banco Central vendeu 20 mil contratos de swap cambial, ofertados em leilão adicional, o equivalente a 1 bilhão de dólares.

“O leilão de swap realizado pela autoridade monetária é uma intervenção que tem como objetivo proteger o mercado contra variações excessivas do dólar em relação ao real (hedge cambial) e dar liquidez ao mercado doméstico. É uma ação comum na política cambial. O problema é que o Banco Central, que sempre fez isso, inclusive há dois meses atrás, parou de fazer e nào explica porque”, disse o economista.

Segundo ele, já é consenso no mercado financeiro que, aproveitando a saída de investidores estrangeiros do mercado, está em curso uma aposta contra a moeda brasileira no mercado de derivativos e o Banco Central deveria atuar para coibir isso.

“ Sempre que ocorrem discrepâncias no mercado de câmbio, o Banco Central intervém, para estabilizar a cotação. Inexplicavelmente isso não vem sendo feito agora. É como se a autoridade monetária estivesse sancionando um ataque especulativo à moeda brasileira”.

Veja o artigo do economista no jornal A Tarde.

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25/06/2024

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