16/02/2025
A historiografia da independência brasileira.
A historiografia da Independência do Brasil tem sido revisitada no Bicentenário (1822-2022), conforme analisam Cid e Silva (2022). As autoras argumentam que a independência não se limita à separação de Portugal, mas envolve disputas de memória. A narrativa tradicional enfatizou a continuidade entre as monarquias portuguesa e brasileira, reforçando a ideia de um processo pacífico.
No século XIX, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) consolidou essa visão, perpetuada por historiadores como Varnhagen e Oliveira Lima. No século XX, as comemorações do centenário reforçaram mitificações do passado imperial, algo que se repetiu no Bicentenário, como na vinda temporária do coração de D. Pedro I ao Brasil.
A historiografia recente busca superar essas interpretações, deslocando o foco das estruturas estatais para aspectos identitários e sociais. Inspirados por Chiaramonte e Anderson, historiadores como Jancsó e Pimenta enfatizam a complexidade do processo independentista, demonstrando que as nações foram consequência, e não causa, da independência. Adota-se uma abordagem comparativa e transnacional, inserindo as independências no contexto das Revoluções Atlânticas e da Revolução Constitucionalista do Porto.
Cid e Silva (2022) rejeitam uma visão finalista das independências, ressaltando a experimentação política e diferentes formas de organização estatal. Além das mudanças políticas, destacam transformações culturais e institucionais, reconhecendo a participação popular e desafiando interpretações elitistas.
Referência:
CID, Gabriel; SILVA, Ana Rosa Cloclet da. As independências no Brasil e na América Hispânica. História, memória e historiografia 200 anos depois. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 42, n. 91, 2022, p. 17-51.
Imagem de D. Pedro I.