23/01/2025
POLÍTICA
Captar água no Tietê é uma das possibilidades para abastecimento
O Departamento de Água e Esgoto (DAE)de Bauru avalia a possibilidade de incluir a captação de água no Rio Tietê como uma das alternativas para suprir a deficiência do sistema hídrico do município. A medida seria contemplada no âmbito do Plano Diretor de Águas (PDA) — cuja revisão a autarquia prevê contratar já no próximo mês, em fevereiro.
Frente ao esgotamento do Rio Batalha, o tema poderá ganhar os holofotes novamente, com foco na análise dos custos envolvidos — incluindo a construção de uma nova Estação de Tratamento de Água (ETA), visto que o Tietê é mais poluído e demanda processamento mais sofisticado — e das vantagens que pode trazer no longo prazo.
Segundo Renato Purini, presidente do DAE, a expectativa é de que o edital seja publicado em meados de fevereiro. "Já temos algumas cotações de preço e estamos avaliando juridicamente o modelo", pontua. Vale destacar que o PDA em vigor desde 2014 estabelece ações que o departamento deveria adotar até 2034, porém, segundo Purini, o atual cenário de emergência climática impõe a necessidade de atualização das demandas.
Entre as intervenções previstas pelo atual plano está a conclusão de uma nova captação de água a cerca de 20 quilômetros de distância da lagoa, a jusante do Rio Batalha, em Avaí. "Mas vamos avaliar outros pontos, inclusive no Tietê, que f**a a pouco mais de 30 quilômetros de distância. Precisamos diluir o custo no tempo, ou seja, contabilizar, dentro das opções, quanto precisaríamos investir e por quanto tempo o abastecimento de água estaria garantido. Como tratam-se de investimentos altos, de centenas de milhões, precisamos de uma reserva que nos dê segurança para as próximas décadas e não só para dez anos", detalha.
PLANO DE SEGURANÇA
De acordo com o presidente da autarquia, além da revisão, também será elaborado o Plano de Segurança da Água (PSA), que, segundo o PDA vigente, deveria ter f**ado pronto em 2022.
"Ele vai nos mostrar, com todos os quantitativos de investimento, como controlar perda de água, definir um mapa de interligações entre poços para, com manobras, socorrermos regiões que estão com o abastecimento comprometido, tecnologias melhores, entre outras ações", frisa.
Purini esclarece que a revisão do PDA não interfere nas ações em curso a fim de minimizar o problema histórico de desabastecimento de água em Bauru, como a perfuração de quatro poços na região de Val de Palmas, zona Norte da cidade, e a criação de bolsões para reservação de água da chuva nas imediações da lagoa de captação do Rio Batalha.
Para tratar sobre este último assunto, inclusive, a prefeita Suéllen Rosim (PSD) deverá definir uma equipe de trabalho em reunião agendada para a tarde da próxima segunda-feira (27) com representantes do DAE e das secretarias de Obras e Meio Ambiente.
"Este grupo irá discutir tecnicamente e ambientalmente qual é a melhor solução, identif**ar as áreas disponíveis, considerando revelo, topografia e a existência de afluentes que precisam ser preservados, e avaliará quantas pequenas represas poderemos ter", projeta, reforçando que a reservação será utilizada como alternativa emergencial — e não rotineira — para o fornecimento de água em períodos de estiagem prolongada, quando a lagoa de captação do Batalha estiver em níveis críticos.
BOLSÕES
Atualmente, 26% da população de Bauru depende do manancial para ter água nas torneiras. Segundo o presidente do DAE, preliminarmente, a projeção é de que a nova estrutura possa garantir o abastecimento desta região da cidade por 45 a 60 dias.
Conforme o JC noticiou, a criação dos bolsões foi definida na última segunda-feira, após visita de Suéllen e membros de sua equipe de governo, incluindo Purini, a Curitiba, que inaugurou no mês passado sua Reserva Hídrica do Futuro.
Assim como fez a prefeitura da capital paranaense, a administração de Bauru pretende negociar com proprietários de áreas de interesse eventuais desapropriações ou compensações.
"Vamos avaliar, ainda, a possibilidade de desviar temporariamente o ponto de captação do Rio Batalha para fazer rapidamente o desassoreamento e aprofundamento da lagoa atual sem água. Nós tínhamos começado o trabalho de desassoreamento, mas, como há muita areia no fundo, a turbidez da água aumenta muito e não conseguimos tratá-la", revela.
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