13/01/2026
Aumento de assaltos nas paragens de táxi preocupa passageiros em Luanda.
“Senhora, cuidado com a janela, nem todos os lotadores são realmente lotadores.”
Estas são palavras frequentemente ouvidas dos cobradores de táxi, vulgo gerentes, durante o exercício das suas atividades, sobretudo em algumas paragens dos azul e branco nas principais artérias da cidade de Luanda.
O alerta surge devido ao elevado índice de assaltos registados nos últimos três meses, praticados, segundo relatos, por jovens que auxiliam os cobradores no enchimento das viaturas. Os Lotadores.
A nossa equipa de reportagem realizou uma ronda pelas paragens do Kikolo, Estalagem e Cacuaco, no sentido São Paulo, de forma ascendente, para ouvir de perto o quotidiano de quem frequenta estes locais.
“Os assaltos nesta paragem tem sido constante, e o mais preocupante é que alguns acontecem mesmo à vista dos agentes da Polícia Nacional”, relatou a senhora Adalgiza, passageira com destino à Vila de Viana. Entre a necessidade de apanhar o táxi e o cuidado com os pertences pessoais, o medo é permanente. “Controlem bem os vossas pastas, não confiem. Alguns não são nossos”, alertou.
A passageira acrescentou ainda críticas à atuação das autoridades: “Não sei por que razão os agentes reguladores de trânsito parecem mais preocupados com as suas ‘gasosas’ do que em impedir jovens de terem os seus telefones e perucas arrancados. Isso é muito estranho. Não é normal a realidade que se vive aqui na paragem da Estalagem.” Segundo Aldagiza, o período noturno é ainda mais perigoso.
“Não vale a pena confiar nesses lotadores, muitas vezes são eles próprios que roubam os passageiros”, afirmou.
Alexandre Macosso, taxista, também se mostrou preocupado com a postura de alguns lotadores. “Durante o dia trabalham bem, mas à noite são os mesmos que cometem assaltos.
Não sei o que faz a associação responsável quando surgem essas situações”, questionou. Apesar disso, reconhece que “existem lotadores honestos, que trabalham para manter uma vida organizada”.
Dona Lúcia, vendedeira no mercado da Estalagem, lembra que, “embora estejamos a vender num local proibido, o comandante da polícia em Viana deveria fazer de tudo para organizar a atuação dos lotadores”. Apela por maior controlo e ordem.
Este cenário repete-se também na paragem do Kikolo, onde, segundo relatos, “os lotadores acompanham os passageiros como se fossem guias, mas, infelizmente, são eles próprios que acabam por assaltá-los”.
São vários os locais onde os lotadores são acusados desta prática.
Os entrevistados são unânimes em defender a recolocação de esquadras móveis a poucos metros das paragens, como forma de dissuadir a criminalidade.
Importa referir que, cerca de quinze minutos antes da chegada da nossa equipa à paragem do Kikolo, a cidadã Paula Gomer Pinto foi vítima de assalto, tendo-lhe sido retirada a peruca.
Se quiseres, posso:
adaptar o texto para rádio ou televisão;
torná-lo mais curto;
deixá-lo com um tom ainda mais investigativo;
ou ajustar para português mais formal ou mais popular.
Por: Tiago Figueira