26/03/2025
Memórias da Infância
São duas horas da madrugada, rolo na cama e com tantas histórias guardadas no sótão, querendo saltar às páginas de um livro, os personagens brigam por um lugar ao sol.
Preciso aprender a dominar meus pensamentos ou enlouqueço; já com o celular desligado, não resisti ao chamado das minhas memórias.
Lembranças da infância tão longe e tão perto, tudo que vivi, que foi tão pouco e parece tanto.
A menina que fui, a alegria e aquele deslumbramento quando ia visitar meus avós na roça, na casa de barro e coberta de sapê, sempre uma novidade.
Era tanto espaço, o campo coberto por plantas, a fauna e flora espalhadas a perder de vista, as flores de diversos matizes e diferente de tudo que conhecia.
São memórias de uma criança, contida por uma mãe autoritária, que não admitia as descobertas necessárias às crianças, para seu desenvolvimento natural.
E ali, era mesmo perigoso, me perder, a correr atrás de um pássaro, que hoje, sei que era anu-preto.
Ele parecia estar se divertindo comigo, pois quando pensava estar me aproximando e ele, pousado em um mourão da cerca de arame farpado, simplesmente voava para muito mais longe.
Eu saía em desabalada carreira para pegar o pássaro, era uma luta inglória e desigual, mas, aquela criança não queria entender isso e corria mais um tanto; até que já cansada, vendo que ele já voava muito longe e triste por não ter pegado o pássaro, tinha que voltar devagar.
Isa M. A. da Silva
2017