31/12/2025
A crise na coleta de lixo em Teresina continua sendo um retrato incômodo da incapacidade do poder público de resolver problemas básicos da cidade. Ruas tomadas por lixo, mau cheiro, risco sanitário e indignação da população voltaram a fazer parte da paisagem urbana, como se o tempo tivesse parado. Esse foi um dos símbolos mais evidentes do colapso administrativo da gestão do ex-prefeito Dr. Pessoa, quando a cidade mergulhou em sucessivas crises na limpeza pública, sem planejamento, sem fiscalização eficiente e sem resposta concreta à altura do problema.
O que causa perplexidade é que, passado mais de um ano da gestão do atual prefeito Silvio Mendes, o drama segue se arrastando. Houve troca de discurso, promessa de reorganização, expectativa de normalização, mas, na prática, a solução definitiva nunca chegou. A coleta segue irregular em diversos bairros, contratos continuam cercados de questionamentos e a população permanece refém de um serviço essencial que deveria funcionar de forma invisível — só sendo notado quando falha, como vem falhando reiteradamente.
Não se trata de um detalhe administrativo nem de um problema menor. Lixo acumulado é questão de saúde pública, de dignidade urbana e de respeito ao cidadão que paga impostos. Quando uma cidade não consegue recolher seu próprio lixo de forma regular, algo está profundamente errado na engrenagem da gestão. A herança deixada por Dr. Pessoa foi pesada, mas já não pode mais servir de muleta permanente. Um ano é tempo suficiente para apresentar um caminho claro, estável e funcional — o que, até agora, não aconteceu.